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Como se Fazia Chocolate em 1895? Uma Viagem no Tempo.

  • Foto do escritor: Elaine Malfatti
    Elaine Malfatti
  • 20 de mar.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 21 de mar.




Você já parou pra pensar como se fazia chocolate antigamente?

É o que trago nesse post hoje. Um texto original do livro "O Doceiro Nacional", publicado por H. Garnier no Rio de Janeiro, em 1895.

Ele revela segredos de torrefação, a importância da origem do grão e até como o chocolate era consumido na Europa daquela época.

Observe a riqueza das informações, o português da época, a ortografia, a linguagem. É um texto fantástico pra você que também ama uma curiosidade histórica.



preparo do chocolate
Imagem criada por Inteligência Artificial - Gemini


FABRICAÇÃO DO CHOCOLATE

O chocolate é fabricado com as favas do cacao, (theobromma cacao) uma arvore indigena da America, onde é encontrada nas terras humidas do tropico, como no México, Guyana, Brazil, Bolívia, Peru, etc; também se acha na Ásia.

No commercio, distinguem-se varias qualidades de cacao, sendo o mais estimado o cacao real ou de Sonocuzco; depois vem o do México, Baracas, Pará, Martinica, Bahia, etc.

As favas do cacao cobertas de uma pelle coreacea, achão-se em numero de vinte e cinco a trenta, dentro da fructa, que se assemelha a um pepino, ou um chuchú.

Torrão-se estas favas como se torra o café, porém com menos calor, em apparelhos especiaes, tirando-se previamente a pelle que as cobre.

Na Europa, usão-se fazer com esta pelle verde um chá muito agradável, estimulante, parecendo-se no gosto com o chocolate

O chocolate é considerado como um alimente muito substancial; o seu uso foi introduzido na Europa pelos Hespanhoes, depois do descobrimento do Mexico, em 1510; hoje é usado e fabricado em todos os paizes, variando o seu modo de preparação, segundo o gosto de cada paiz; assim os Hespanhoes, o tomão pouco torrado, com pouco assucar, e bem aromatisado; os Italianos usão d'elle bem torrado, com pouco assucar, etc.

Na França, Inglaterra, e Allemanha, varia a proporção do assucar seguindo a qualidade do cacao, assim: o cacao vindo de Guyana, das Antilhas, e do Brazil, necessita mais assucar do que o de Sonocuzco e do Baracas, que generalmente é de um gosto mais adocicado.

 

1. Torrefacção do cacao. — Depois de se ter limpado o cacao com o maior esmero, toma-se uma quantidade mais ou menos consideravel, que se põe n'um torrador de folha de ferro, e expõe-se a um fogo muito de vagar, afim de que a massa possa aquecer-se sem queimar-se, e perder inteiramente o gosto e o cheiro de mofo que elle tem.

Si se torra de mais, o chocolate torna-se preto, e de um gosto desagradavel, por causa da decomposição que começa a se manifestar na substancia gorda untuosa que contem o cacao.

Tirão-se as sementes, depois de se ter deixado esfriar, peneirão-se e escolhe-se uma quantidade que se pisa, para tornar a torrar-se n'um fogo mais activo; e quando a massa se tornar luzente, pára-se com a torrefacção, e peneira-se de novo.

N'este estado, põe-se um almofariz de ferro sobre uma trempe, e brazas por baixo para aquecel-o, e estando bem quente, deita-se-lhe a massa torrada do cacao quebrada em pedaços, e quando ella estiver amollecida, formando um mingáo encorpado e homogeneo, misturão-se o assucar reduzido a pó fino, e os ingredientes aromaticos ou medicinaes; mexe-se tudo bem, amassando-se com a mão do almofariz, e deita-se logo em fôrmas de folha de Flandres que se batem horizontalmente sobre a mesa até a massa ficar lisa, e lustrosa na superfície; deixa-se depois descancar até estar endurecida, tira-se e embrulha-se.

Nas fabricas especias de chocolate, usão-se de differentes machinas, para torrar, moer, enformar, e enrolar o chocolate, as quaes teem o duplo fim de aperfeiçoar e diminuir o tempo do trabalho, e que achamos superfluo descrever n'este logar, visto serem dispendiosas, e impróprias para casas particulares aonde o consumo do chocolate é diminuto.

               

DOCEIRO NACIONAL OU ARTE DE FAZER TODA A QUALIDADE DE DOCES

H. GARNIER

Rio de Janeiro, 1895.



Agora me conta: gostou desse achado histórico, da riqueza de detalhes, da ortografia? Deixe aqui nos comentários! Vou adorar saber.




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